sexta-feira, 4 de novembro de 2011

 
Trabalho e ecologia

Tal qual a besta do Apocalipse, que foi adorada pelo povo, o capitalismo destruidor da natureza tam­bém é tratado como algo bom, porque faz uma pro­paganda a seu favor, ou seja, a favor dos grandes capitalistas, que aparecem como benfeitores, quando na verdade tudo fazem somente por dinheiro, e nunca pela vida.
A propagação desses “valores” é tão forte que até mesmo alguns trabalhadores adquirem essa visão de valorizar os ganhos acima de tudo. Além disso, o descaso com o meio ambiente é resultado de ensinamentos que colocam o humano como centro e não como parte da natureza. A tendência é se sentir dominador da natureza e não participante dela.
É provado que a dinâmica do sistema capitalista devasta os recursos naturais, mas cabe também às pessoas, uma parcela de responsabilidade. Salvar o planeta é um desafio para todos e todas, incluindo a necessidade de se estudar a respeito, para entender os mecanismos que destroem a vida e lutar para eliminá-los. Afinal, o ser humano é construtor da his­tória e não somente espectador.
Precisamos de base social e de força social para darmos qualidade ao trabalho e ao trabalhador(a), oferecendo-lhes mais saúde, proteção, condição de dignidade e direitos incorporando a dimensão ecológica e social.
É preciso entender melhor uma Igreja libertadora, que se volta paras as pessoas descartadas pelo capitalismo.
Temos que construir redes, organização, articulação das associações, dos sindicatos e outras formas que estão surgindo para a travessia, na superação dos males da terra.
As CEBs, pastorais sociais, encontros, grupos de reflexão e tantas outras dimensões simbolizam uma grande rede de libertação. Mas, para avançar mais, é necessário realizar formação sistemática com muita informação e utilizando o método VER-JULGAR-AGIR.

Paróquia de Mutum

Reflexão

 
É PRECISO VIVER O AMOR DE DEUS

Existem pessoas que vivem profundamente uma religião, mas na verdade essas pessoas não possuem fé. Fazem da religião um ritualismo e um cumprimento de preceitos e conhecem todos os seus dogmas e suas normativas morais, porém não possuem fé, porque não se sentem interpelados por Deus para a mudança de vida tanto em nível pessoal como comunitário. São pessoas que como diz o profeta Isaias, louvam a Deus com os lábios, mas seus corações estão longe dele, porque na verdade, não compreenderam que Deus é amor. O coração que se aproxima de Deus é o coração que é capaz de amar, não com romantismo, mas com compromisso de solidariedade, de busca de libertação, de luta contra a exclusão. Este sim, é o verdadeiro amor, e esta é a verdadeira conversão.

Paróquia de  Mutum

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Novembro


FESTA DOS SANTOS

Dom Paulo Mendes Peixoto*

Começamos o mês de novembro celebrando a Festa de todos os Santos, próxima do Dia de Finados. São dois fatos que marcam nossa vida. Um como fim na terra, e outro, como continuidade na vida eterna, marcada pela santidade e amor total.
Neste momento, uma expressão muito citada na Sagrada Escritura, vem à tona: “A vida vence a morte”. É o mistério da existência humana que só é entendido numa dimensão de fé em Deus e na dignidade da pessoa como ser de eternidade.
A fé, baseada na Palavra de Deus, nos diz que Deus é Santo. E assim deve ser também a criatura humana. Para isto ela é chamada pelo Criador a atravessar um caminho de perfeição para sua realização plena e eterna em Deus.
A Festa de todos os Santos é firmada pela esperança, por aquilo que é capaz de sustentar a continuidade da vida na terra. O desespero é trampolim para a morte. É a incapacidade para implantar a justiça e de testemunhar a solidariedade projetada pelo Criador.
A santidade é fruto da prática de justiça e da pureza do coração. É abençoado aquele que procura estar em sintonia com o Senhor e não tem os desejos voltados para o mal e para o crime. Temos que levar em conta que somos chamados filhos de Deus.
A pessoa humana tem uma dignidade especial, com capacidade para amar verdadeiramente os semelhantes. Entre os filhos de Deus deve ter destaque a fraternidade, de convivência, de respeito e de comunidade. Isto implica a prática da justiça.
A integridade do coração humano seja sem ambiguidades. Coração aberto e acolhedor, de discípulo que tem consciência das consequências de seu modo de agir. Mesmo num mundo de conflitos e violência, pratica atos de solidariedade.
A santidade é dom de Deus e resposta consciente e livre da criatura humana. É fruto de decisão e determinação na vida, seguindo os passos comuns de Jesus Cristo. Não importa fazer grandes coisas ou não, importa ter convicção e audácia no que faz.

*Bispo de São José do Rio Preto

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Fé e Cultura

TODOS OS SANTOS E FINADOS: UM POUCO DA HISTÓRIA E DO SENTIDO

José Aristides da Silva Gamito*

O mês de novembro começa com duas celebrações muito características: Dia de Todos os Santos e Dia de Finados. Na verdade, a Igreja relembra em duas datas a memória de todos os fiéis falecidos. Apenas destaca no dia 1º de novembro todos aqueles fiéis falecidos conhecidos ou não que foram exemplos de fé e de santidade. Para o Dia de Finados a menção é feita a todos os falecidos independentemente de seu grau de santidade. Essas tradições litúrgicas remetem os fiéis à fé na comunhão entre vivos e falecidos. Este é um princípio de fé cristã.
A Festa de Todos os Santos tem origem em 610 sob o papado de Bonfácio IV. Primeiramente, foi comemorada a 13 de maio. Já o Dia de Finados foi fixado pelos monges de Cluny, na França, no século XI. Se junta às tradições das festas dedicadas aos mortos a festa pagã de Halloween, um ritual celta. Porém, dentro do cristianismo desde o século II já havia esse cultivo da memória dos mártires, pois os fiéis acreditavam que eles estavam no céu e poderiam interceder pelos vivos. Surge neste contexto, a confiança na comunhão dos santos professada depois no Símbolo Apostólico como artigo de fé.
O cultivo da memória daqueles que já partiram sempre esteve presente em muitas culturas. E no senso comum, não há aquele que não concorde que a saudade nos leva a esse vínculo afetivo com os falecidos. As festas dedicadas aos falecidos nos passam duas importantes lições. Uma primeira delas é que somos mortais e transitórios. A segunda é que nos ligar aos que nos precederam é enriquecedor. Sem o exemplo, sem a herança cultural e moral dos antepassados não teríamos tantos avanços hoje.
Por fim, esses dois dias servem de momento de reflexão para todas as pessoas fiéis e não fiéis. Quando recordamos os que morreram, nós nos tornamos mais humildes e assumimos a nossa transitoriedade e passamos a pensar na herança que deixaremos: O bom exemplo, as atitudes a serem seguidas. Assim dizia Cícero, escritor romano, “vita mortuorum in memória est pósita vivorum” (A vida dos mortos está guardada na memória dos vivos).

*Administrador do Blog “Forania de Ipanema On line”